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· Leitura de 3 min · Anna Fernandes Lucas

Depressão de Alto Funcionamento: Quando Sorrimos por Fora mas Estamos Entorpecidos por Dentro

A depressão de alto funcionamento é uma forma oculta de dor emocional em pessoas que continuam a desempenhar bem enquanto se sentem vazias por dentro, e a terapia pode ajudar com delicadeza a reencontrar a alegria e um valor próprio autêntico.

Levantas-te, vais trabalhar, respondes a e-mails, pagas as contas. Fazes os outros rir. Dizes "estou bem" e até o sentes, de certa forma. Mas algo bem fundo em ti sente-se vazio, desligado ou silenciosamente exausto. É a isto que muitos chamam depressão de alto funcionamento, uma forma oculta de dor emocional que muitas vezes passa despercebida, até à própria pessoa que a vive.

Embora a depressão de alto funcionamento não seja um diagnóstico clínico oficial, o termo descreve pessoas que cumprem os critérios de depressão mas continuam a desempenhar bem no dia a dia, pelo menos à superfície. Aparecem. Continuam em frente. Mas, emocionalmente, estão a funcionar com as reservas esgotadas.

Há vários sinais de que podes estar a lidar com uma depressão de alto funcionamento. Podes sentir-te entorpecido ou emocionalmente apático, mesmo quando acontecem "coisas boas", e manter-te ocupado para evitar pensar ou sentir demasiado. Podes ter dificuldade em desfrutar de atividades que antes te davam alegria, sentir muitas vezes que estás a fingir ou a representar, e experimentar um cansaço que o descanso não resolve. Podes minimizar a tua dor dizendo a ti próprio "não é assim tão mau", sentir-te culpado por não estares mais feliz ou mais grato, e sentir-te só, mesmo rodeado de outras pessoas.

Muitas pessoas com depressão de alto funcionamento dizem coisas como: "Não choro a toda a hora. Apenas sinto... nada."; "Ninguém imaginaria como as coisas estão difíceis para mim."; "Eu devia estar feliz. Então porque me sinto tão em baixo?"

É tão difícil de reconhecer porque o mundo elogia a tua produtividade. És visto como competente, forte, prestável, fiável. Mas essas mesmas características podem tornar-se máscaras que escondem o teu sofrimento, até de ti próprio. Podes também vir de um meio onde as emoções eram desvalorizadas, onde só o sucesso trazia reconhecimento, ou onde o descanso e a vulnerabilidade eram vistos como fraqueza. Por isso, em vez de pedir ajuda, aguentas. Sorris. Vais aguentando. Até que um dia… já não consegues.

Lidar com tudo sozinho tem um custo emocional real. Lá por estares a funcionar não significa que estejas a florescer, e lá por ninguém ver a tua dor não significa que ela não seja válida. Se não for tratada, a depressão de alto funcionamento pode levar ao esgotamento, a tensões nas relações e ao aumento da ansiedade, bem como a desconexão emocional, sintomas físicos como insónia, tensão ou doença, e até crises de identidade ou de sentido de vida.

A terapia pode ajudar. Em conjunto, exploramos com delicadeza o que está por baixo da superfície, os padrões, as crenças e as feridas emocionais que tornam difícil descansar, expressar necessidades ou sentir-se plenamente vivo. Trabalho com pessoas de alto funcionamento através de uma abordagem integrativa (Terapia dos Esquemas, EMDR e outras), para as ajudar a compreender as raízes emocionais do seu "vazio interior", a questionar o perfeccionismo, a tendência para agradar aos outros e o desleixo consigo próprias, e a aprender a sentir em segurança, em vez de apenas desempenhar bem. O objetivo é reencontrar a alegria, o sentido e um valor próprio autêntico, e descansar, sem culpa.

Não tens de esperar por um colapso para procurar ajuda. Mereces apoio antes de te desmoronares. A terapia não tem a ver com perder a tua força, mas sim com encontrá-la de uma forma mais sustentável e ligada. Podes continuar a ser uma pessoa de alto funcionamento. Mas não tens de estar a sofrer. Vamos conversar.

Anna Fernandes Lucas

Revisado clinicamente

Anna Fernandes Lucas

Fundadora e Diretora Clínica · Psicoterapeuta (HeilprG)

Todo o conteúdo clínico deste site é supervisionado por Anna Fernandes Lucas, fundadora da International Psychology Clinic em Munique.

Sobre a Anna

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