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· Leitura de 3 min · Anna Fernandes Lucas

Sente que nunca é suficiente? As raízes do perfecionismo

O perfecionismo não tem a ver com ser perfeito, mas com o medo do que acontece se não formos. A terapia pode ajudar a descobrir as suas raízes e a construir uma relação mais gentil consigo mesmo.

Cumpres todos os requisitos. Trabalhas com afinco. Cumpres os prazos. És aquela a quem os outros recorrem quando tudo desmorona. E, no entanto, ficas acordada de noite a perguntar-te se fizeste o suficiente, se és suficiente. O perfecionismo não tem a ver com ser perfeito, mas com o medo do que acontecerá se não formos.

O perfecionismo é muitas vezes mal interpretado como ser apenas muito organizado ou ter padrões elevados. Mas, para muitas pessoas, vai muito mais fundo. Não se trata apenas de querer fazer bem; trata-se de um medo constante de falhar, de desaprovação, de desiludir os outros ou a si mesmo. É uma voz interior exaustiva que sussurra: devias ter feito melhor, isto não foi suficientemente bom, não descanses, ainda não o mereceste.

Em terapia, descobrimos muitas vezes que o perfecionismo não é um traço de personalidade, mas uma estratégia de sobrevivência que começou cedo na vida. Uma raiz comum é a negligência emocional ou a imprevisibilidade na infância: se o amor e a aprovação eram condicionais, talvez tenhas aprendido que ser perfeito era a forma mais segura de evitar a rejeição ou o conflito. Como alguém o exprimiu: tinha de merecer o amor, e ser eu mesma não era suficiente.

Outra raiz é a crítica constante ou expectativas irrealistas. Quer venha dos pais, dos professores ou da pressão cultural, ouvir podes fazer melhor vezes sem conta pode levar à crença de que nunca somos suficientemente bons. Mesmo quando tinha sucesso, nunca parecia suficiente. Uma terceira raiz está nos papéis de responsabilidade assumidos cedo: se tiveste de ser a forte, a pacificadora ou a cuidadora desde pequena, o perfecionismo pode ter-se tornado a tua forma de manter o controlo e de ser valorizada, porque não havia espaço para errar e tinhas sempre de te manter firme.

Alguns sinais de perfecionismo são evidentes, enquanto outros se escondem por detrás daquilo que parece sucesso. Indicadores comuns incluem o medo de cometer erros ou de ser desmascarada, a autocrítica ou a comparação constantes e a dificuldade em descansar ou relaxar. Pode também haver procrastinação, porque se não vai ficar perfeito, para quê tentar, a par da dificuldade em aceitar elogios, do sentimento de culpa ao tirar tempo para si e da sensação de nunca estar concluído, já que há sempre algo a melhorar.

O perfecionismo pode ajudar-te a ter sucesso em certas áreas, mas muitas vezes tem um preço: ansiedade, esgotamento, baixa autoestima e desconexão do teu verdadeiro eu. Pode danificar relações e roubar a alegria à vida. Porque quando suficientemente bom nunca é suficiente, vives num estado permanente de pressão e de dúvida sobre ti mesma.

No meu trabalho como psicóloga clínica, acompanho os clientes na exploração das raízes emocionais do perfecionismo. Com abordagens como a Terapia dos Esquemas, o EMDR e a psicoterapia integrativa, podemos identificar o crítico interior e a sua origem, reconectar com as tuas necessidades e limites emocionais, reprocessar experiências precoces que moldaram o teu valor próprio, desenvolver uma voz interior mais saudável e compassiva, e aprender a viver a partir de um lugar de valor, e não de desempenho.

Imagina como seria a vida se não tivesses de merecer o teu valor todos os dias. Se pudesses orgulhar-te de ti sem teres de provar nada. Se o descanso e a alegria não fossem coisas que tivesses de justificar. Não precisas de provar o teu valor; só precisas de te encontrares contigo mesma.

Se estás cansada da pressão de fazer sempre mais, a terapia pode oferecer um espaço para abrandar, respirar e começar a construir uma relação contigo mesma assente no cuidado, e não na crítica. Porque nunca foste feita para ser perfeita. Foste feita para ser inteira.

Anna Fernandes Lucas

Revisado clinicamente

Anna Fernandes Lucas

Fundadora e Diretora Clínica · Psicoterapeuta (HeilprG)

Todo o conteúdo clínico deste site é supervisionado por Anna Fernandes Lucas, fundadora da International Psychology Clinic em Munique.

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